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terça-feira, 2 de março de 2021

Gotas de reflexão sobre a educação


De fato, em 2020 esta pandemia apanhou-nos quase todos de surpresa e impulsionou o ensino à distância. Este contexto educativo que era residual até aquele momento, presentemente tornou-se a realidade para quase todos nós.

É verdade que na altura todos os envolvidos foram corajosos na implementação de um modelo de ensino à distância de emergência. Afinal, fomos obrigados a sair da nossa zona de conforto. 

Contudo, resta-nos agora aprender com esta nova realidade e aceitarmos o convite à transformação. 

Certamente, a nova normalidade educativa será diferente daquela que estávamos habituados.

Gosto da ideia da "escola sem muros". Aprender e filtrar a informação para gerar conhecimento não acontece apenas no contexto escolar / formativo. "Os analfabetos do século XXI não são aqueles que não sabem ler ou escrever, mas aqueles que se recusam a aprender, reaprender e voltar a aprender". - Alvin Toffler

A responsabilidade da escola / formação deve ser formar futuros seres pensantes, com espírito crítico para que possam fazer escolhas conscientes, livres e responsáveis. Este deve ser o nosso legado. Porque este mundo não é nosso, tomamo-lo apenas emprestado dos nossos filhos. "Educai as crianças, para que não seja necessário punir os adultos." - Pitágoras

Essa responsabilidade não deve ser apenas da escola / formação, mas deve ser partilhada por todos nós. Isto é, cada um de nós é um modelo de inspiração para os outros e vice-versa. Estamos todos interligados, como numa rede, em que o bater de asas numa parte do mundo, tem consequências imprevisíveis, no outro lado lado do mundo. "Sê a diferença que queres ver no mundo." - Mahatma Gandhi. "A educação é a arma mais poderosa que tu podes usar para mudar o mundo." - Nelson Mandela


domingo, 28 de fevereiro de 2021

O futuro da educação


O futuro da educação

Partilho da visão do professor António Teixeira em que no futuro, o aluno estará no centro da educação.

As instituições educativas irão ter uma oferta formativa diversificada em termos de filosofia, de métodos, com modelos de aprendizagem híbridos com componentes 100% presencial, 100% à distância ou mistos em blearning.

Numa turma poderá haver uma multiplicidade de soluções adaptadas ao perfil de cada aluno. Por exemplo, na mesma turma pode ter alguns formandos a frequentar em blearning e outros 100% à distância.

Num mundo em que a pandemia disseminou o ensino à distância, com o crescimento da inteligência artificial, das neurociências, o professor, o tutor, o facilitador deve fomentar o aprender a aprender, estimular a criatividade, a imaginação, competências inacessíveis aos computadores e à tecnologia.

Cada vez mais será valorizado a competência digital no mundo educativo e no mercado de trabalho, isto é, com o saber pesquisar e tratar informação e transformá-la em conhecimento. Esta competência não está relacionada com a destreza em manipular os dispositivos tecnológicos.

Estas alterações trarão outros desafios às instituições educativas em termos da certificação. As pessoas irão continuar a aprender ao longo da vida em cursos abertos,  em cursos formais, em vivência de experiências, na visita de um museu, etc. As competências aprendidas nestes contextos irão constar num portfólio, e os diplomas perderão o tradicional peso. As entidades educativas poderão ter um papel de verificação e validação de competências adquiridas em contextos informais.

Independentemente do que possa acontecer na área da educação, ela  deve potenciar a autonomia, a liberdade e a responsabilidade dos alunos.

terça-feira, 30 de maio de 2017

O que farias de diferente na educação?



Uma forma de controlar o povo/ a população é aplicar exames de avaliação no 1° ciclo de ensino, em vez de provas de aferição.

As pessoas aprendem a ler e a escrever sobre assuntos que interessam ao Estado. Mas com um momento de avaliação em vez de aferição, neste ciclo de estudos, é possível selecionar as pessoas que prosseguem os estudos e limitar lhes as oportunidades futuras no mercado de trabalho.

Além disso, com planos de estudos muito exigentes e extensos, é possível ainda limitar lhes o espírito crítico, a criatividade, a capacidade de aprender a aprender, a capacidade de síntese, a capacidade de procurar, selecionar as informações mais importantes e transformar informação em conhecimento (aplicar a teoria na prática).

Nestas condições (avaliações e programas de estudos extensos) será possível despertar o potencial das pessoas e aumentar as oportunidades de sucesso delas no mercado de trabalho?

Parece difícil, mas não é impossível?

Se não haveria manifestações e revoluções!!!

O que farias de diferente na educação?

Autoria: Sandra Mendes

quinta-feira, 30 de março de 2017

Formar, dar forma


Dar formação é um ato de grande responsabilidade.
Dar formação não é apenas o saber saber, isto é, transmitir conhecimentos.
Dar formação é também dar forma, moldar comportamentos, atitudes, posturas quer em termos pessoais quer em termos profissionais, isto é, o saber ser/estar e o saber fazer.
Muitas vezes a formação em sala foca-se tanto no saber saber que se  esquece das outras duas dimensões do saber: do ser e do fazer.
Mas quando a formação se foca apenas na transmissão de conhecimentos e se esses conhecimentos são atualizados,  importantes e válidos, então apesar da formação ser redutora, ela está a cumprir um pouco a sua função.
Agora se os conhecimentos transmitidos são errados ou se não há uma boa articulação entre a teoria e a prática (o saber saber e o saber fazer) então a formação é uma fraude. Em vez de curar, pode matar. Em vez de estarmos a replicar células sãs, estaremos a produzir e a replicar células com defeito. É um ato criminoso. Devíamos estar quietos, para não fazermos asneiras.

Autoria: Sandra Mendes

domingo, 19 de março de 2017

Competências a desenvolver pelas escolas




Tony Wagner defende que a escola deve desenvolver sete "competências de sobrevivência" necessárias para que as crianças possam enfrentar os desafios futuros: 
- pensamento crítico e capacidade de resolução de problemas, 
- colaboração, 
- agilidade e adaptabilidade, 
- iniciativa e empreendedorismo, 
- boa comunicação oral e escrita, 
- capacidade de aceder à informação e analisá-la e,
-  por fim, curiosidade e imaginação.

Texto extraído do artigo do jornal Público

sexta-feira, 17 de março de 2017

Aprender, para quê?



"Os analfabetos do século XXI não são aqueles que não sabem ler ou escrever, 
mas aqueles que se recusam a aprender, reaprender e voltar a aprender".

Alvin Toffler


terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Que futuro!?


Se faz favor, desejo frequentar um curso remunerado e que os professores não me chateiem muito.
Se faz favor, desejo ter um emprego que se ganhe bem, perto de casa, e que não se faça muito.
Se faz favor, desejo viver numa casa grande, bem situada, equipada de tecnologia.
Se faz favor, desejo ficar na cama até mais tarde, ouvir música em alto som.
Se faz favor, desejo ter um telemóvel, pc, tablet topo de gama.
Se faz favor, desejo ter roupa e calçado de marca.
Se faz favor, desejo ter namorado/a que faça tudo o quero.
Meu pai e minha mãe ainda não satisfazeram os meus desejos, porquê? Estão à espera de quê? Estou à espera! Senão me derem o que peço, bato-vos! Faço birra! Vou roubar e vocês passam uma grande  vergonha.
Ainda dizem que os jovens não têm objetivos nem valores. Claro que temos. Se calhar vocês tinham uma ideia diferente dos meus objetivos e valores.
Que futuro?
Por um futuro melhor... É importante transmitir conhecimentos mas também educar valores e  competências chave tais como: respeito, disciplina, capacidade de trabalho, resiliência, resistência à frustração, trabalho em grupo, consciência sobre o impacto das nossas ações.

Autoria: Sandra Mendes

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Quando é a criança que manda lá em casa!!?


Mais do que uma vez disse neste blog que "Educar é difícil". É fácil dar palpites quando os filhos não são nossos. Mas por outro lado, quando os filhos são nossos, por vezes, é difícil termos uma opinião isenta de emoções e preconceitos sobre a dinâmica das relações.

Quando é a criança que manda lá em casa!!!

Vivemos tempos em que:
- a taxa de natalidade está a decrescer,
- existem cada vez mais casais com filhos únicos,
- existem cada vez mais casais inférteis,
- a gravidez é muito desejada e idealizada por ambos os elementos do casal,
- ter um filho é visto como uma extensão dos próprios pais,
- ter um filho é a forma de darmos significado à nossa vida tão vazia,
- ter um filho é uma forma de transmutarmos a nossa mortalidade em seres imortais,
- sentimos-nos culpados por passarmos pouco tempo com os nossos filhos,
- queremos ser melhores pais do que foram os nossos,
- queremos dar aos nossos filhos aquilo que os nossos pais não nos puderam dar,
- queremos ser amigo/a do nosso filho, em vez de sermos pais,
- queremos ser aceites e amados pelos nossos filhos.

Por estas razões e muitas mais, o foco das relações familiares incide na criança. Ela passa a ser uma pessoa especial na família. Tudo gira em função da criança. As necessidades e desejos dos pais passam para segundo plano. Os pais anulam a sua identidade e personalidade em função da criança.

Quando os pais não impõem limites, não clarificam o papel de cada um no seio familiar, não dizem "não" com equilíbrio e coerência, estamos a criar pequenos monstros (crianças mimadas, egocêntricas, egoístas, agressivas) que amanhã poderão ser grandes agressores, delinquentes, com baixa resiliência, com baixa resistência à frustração à dor e aos problemas.

Não é de surpreender que os números tenham aumentado de:
- violência doméstica no namoro
- violência doméstica em casais
- violência doméstica dos filhos sobre os pais e avós
- violência entre grupos de jovens.

Que sociedade vamos ter nos próximos tempos?

Autoria: Sandra Mendes

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Amanhã o que queres colher?


Educar uma criança é uma grande bênção, mas também uma grande responsabilidade. Não existem manuais pedagógicos com as respostas certas para cada problema que possa surgir ao longo da vida.
Cuidar de uma criança é proporcionar-lhe um ambiente nutrido e seguro, mas também promover-lhe um ambiente rico em valores e aprendizagens através das vivências da vida.
Mas, enquanto pais ou educadores, quando tentamos garantir esses elementos é difícil manter o equilíbrio e não cairmos em extremos.
É fácil cair no excesso de proteção, de controlo sobre a criança. Confundimos estes comportamentos com atos de amor. É fácil criamos uma criança dependente de nós, pouco preparada para a vida, às vezes muito mimada, egocêntrica e egoísta.
Por vezes, inconscientemente, o educador fomenta a relação de dependência do educando. Assim, o educador torna-se um elemento necessário para sempre no desenvolvimento e percurso de vida daquele ser. Sente-se que é necessário pelo outro, sente que se o outro lhe pede atenção e opinião, isto significa que a criança o ama. Afinal, o adulto que outrora foi criança não cresceu porque o educador não deixou.
É importante deixar que a criança experimente, que aprenda com os sucessos e com os fracassos. Evitar que ela sofra hoje, estaremos a criar uma criança sem anticorpos para vencer as vicissitudes da vida no dia da amanhã.
Amanhã irás colher o que semeares hoje.
Por outro lado, ao cairmos no outro extremo, da negligência, do desprezo, da indiferença pelo crescimento da criança, estaremos a criar uma criança talvez mais autónoma, responsável mas também fria, calculista e carente por amor.
Senão cuidas do teu amor, um dia ele morre.
Dica: Educar é como agarrarmos areia com uma mão. Se apertarmos muito a nossa mão, ficamos com uma mão vazia. Se abrirmos muito a mão, não conseguimos segurar nenhuma areia na mão.

Autoria: Sandra Mendes

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Quem sabe, faz. Quem compreende, ensina.



Bernard Shaw (1900) disse em Maxims for Revolutionists: 
"Quem sabe, faz. Quem não sabe, ensina."


Lee Shulman (1986) responde a Bernard Shaw: 
"Quem sabe, faz. Quem compreende, ensina". 

domingo, 31 de janeiro de 2016

Como aprender melhor?

Ilusão de óptica
Foto retirada daqui

Aprendemos:

10% Do que lemos (ler)

20% Do que ouvimos (ouvir)

30% Do que vemos (ver fotos)

50% Do que vemos e ouvimos simultaneamente (ver filmes, ver uma exposição, observar uma demonstração, observar um desempenho em contexto real)

80% Do que dizemos (participar numa discussão, fazer uma apresentação)

90% Do que fazemos e dizemos/reflectimos simultaneamente (simular uma experiência real, estar implicado numa atividade)


terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Bullying é controlo



"‘Bullying’ é uma ação consciente, deliberada, hostil e persistente, para humilhar, provocar e induzir medo", define Daniel Sampaio, que adverte que, nestas situações, "há uma intenção deliberada de fazer mal". "Posso empurrar um colega, ou partir um vidro, mas isso não é ‘bullying’, porque não tive a intenção deliberada de fazer mal", salienta o professor de Psiquiatria que, para que não restem dúvidas, pormenoriza que "o ‘bullying’ ocorre num contexto de terror, em que há uma violência sistemática para intimidar e manter a vítima sob controlo".

A palavra-chave do ‘bullying’ é controlo, "o agressor procura controlar a vítima", e assume-se como "uma intolerância perante a diferença", seja sobre alunos de etnia diferente, homossexuais, obesos ou muito magros.

Palavras de Daniel Sampaio extraído do Jornal da Região

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

O Último Desejo



Um recluso condenado à pena de morte a aguardar pela execução, pediu como último desejo um papel e um lápis. Após escrever por vários minutos, o condenado chamou o guarda prisional e pediu que esta carta fosse entregue a sua mãe biológica.
A CARTA DIZIA...
Mãe, se houvesse mais justiça neste mundo seríamos os dois executados e não apenas eu.
És tão culpada quanto eu sou pela vida que tenho levado.
Lembras-te quando eu roubei e levei para casa a bicicleta de um menino como eu?
Tu me ajudaste a escondê-la para que o meu pai não descobrisse. Lembras-te quando roubei o dinheiro da carteira do nosso vizinho? Tu foste comigo gastá-lo ao centro comercial que havia mais perto.
Lembras-te quando discutiste com o meu pai e ele se foi embora? Ele só queria corrigir-me por ter roubado o exame final do curso em que acabei por ser expulso.
Mãe, eu era só uma criança, pouco tempo depois tornei-me num adolescente problemático e agora sou um homem bastante mal formado.
Mãe, eu era apenas uma criança que precisava de correcção e não de aprovação. Mas mesmo assim perdoou-te mãe.
Só peço que faças esta carta chegar à todos os pais do mundo, para eles saberem que o que faz todos os homens se tornarem pessoas de bem ou criminosos é a educação.
Obrigado mãe, por me teres dado a vida e por me ajudares a perdê-la.
O teu filho, delinquente.
PARA REFLEXÃO:
"Quem se nega a castigar seu filho não o ama; quem o ama não hesita em discipliná-lo"
(Provérbios 13:24)
"A verdadeira educação consiste em pôr a descoberto ou fazer actualizar o melhor de uma pessoa. Que livro melhor que o livro da humanidade?"
(Mahatma Gandhi)
"A educação é a arma mais poderosa que tu podes usar para mudar o mundo."
(Nelson Mandela)
"Educação e repreensão começam nos primeiros anos da infância e duram até o último dia de vida."
(Pitágoras)
"Educai as crianças, para que não seja necessário punir os adultos."
(Pitágoras). 

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Tutoria, mentoring



Objetivos da Ação de Tutoria são:
Organizar e estruturar o pensamento, desenvolver habilidades cognitivas, construir autonomia dos alunos. Em termos gerais, a tutoria visa diminuir os fatores de risco e incrementar os fatores de proteção do aluno nos domínios da aprendizagem e das condutas pessoal e social, potencializando, desse modo, o seu bem-estar e a sua harmoniosa adaptação às expetativas académicas e sociais da escola.

No Domínio Pessoal:
- Ajudar o aluno a conhecer-se melhor (interesses, motivações, valores, pontos fracos, pontos fortes).
- Informar e apoiar os alunos em problemas relacionados com a sua idade e desenvolvimento, bem como com a sua história pessoal.

No Domínio da Socialização:
- Ajudar na integração do aluno na escola, procurando despertar nele atitudes positivas em relação à escola, aos professores e aos pares.
- Fomentar comportamentos de participação na vida da escola.
- Analisar com os alunos os seus comportamentos, procurando promover a adoção de comportamentos favoráveis a uma boa integração na escola, nomeadamente no campo das amizades.

No Domínio da Aprendizagem:
- Analisar com o aluno os seus resultados escolares, procurando retirar ilações de tal análise.
- Acompanhar a sua aprendizagem em termos globais, tendo em vista, nomeadamente, detetar áreas bem-sucedidas e áreas de dificuldade e mesmo, eventualmente, de necessidades educativas especiais.
- Ajudar o aluno a analisar as suas dificuldades de rendimento escolar, identificando possíveis causas e consequências, bem como formas de superação ou minimização.
- Ajudar os alunos a fazer um melhor uso da escola, a saber usar este recurso a seu favor.
- Ajudar os alunos a perceber quais são as expectativas da escola, do currículo, dos professores e a corresponder a isso.
- Ajudar o aluno a tomar consciência das suas conceções sobre a aprendizagem (O que é aprender? Como se aprende?) e a motivação para o estudo.
- Apoiar o aluno na aquisição de estratégias de aprendizagem e técnicas de estudo (por exemplo: uso dos sublinhados; tirar apontamentos; elaborar esquemas; fazer resumos; organizar adequadamente o caderno diário; organizar a informação; utilização de métodos de estudos adequados; resolução de situações problemáticas; etc...).
- Ajudar os alunos a aprender a reconhecer os progressos.
- Ajudar os alunos a definir o seu projeto escolar.
- Aconselhar, programar e eventualmente propor ao diretor de turma, programas de recuperação, apoio e reforço educativo.



Os alicerces da Ação de Tutoria são:
- capacitação – preparar os alunos para a sua própria auto-orientação e induzi-los, de forma progressiva, a criarem uma atitude para a tomada de decisões fundamentais e responsáveis sobre o presente e o futuro, quer na escola quer na vida social e profissional.
- continuidade - ser disponibilizada aos alunos ao longo dos diferentes níveis de escolaridade;
- educação – é tão importante a instrução dos alunos como a sua educação.
- implicação – dos diferentes atores, nomeadamente, família, comunidade e instituições que intervêm no processo educativo;
- individualidade – atender às caraterísticas específicas de cada aluno.



O que é um Professor-tutor?
Tutor, vem do latim tutor, "protetor". Tutor observa os problemas dos estudantes e ajuda, prestando assistência de forma mais célere, eficaz e imediata.
É um profissional que atende aos problemas dos alunos, com capacidade de criar laços de afetividade (empatia) com os alunos e, se necessário, com as famílias.

 O Decreto Decreto-Lei n.º75/2008, de 22 de Abril, enquadra no seu artigo 33º a figura do professor tutor de uma forma mais abrangente do que a antes definida no Decreto Regulamentar n.º10/99 de 21 de Julho, remetendo para o Regulamento Interno dos Estabelecimentos de Ensino a definição de outras competências consideradas pertinentes.



Funções do Professor Tutor:
O principal papel do professor-tutor é criar pontes entre o aluno e o conhecimento, identificar potencialidades e dificuldades para fornecer as ferramentas que facilitem e motivem seu processo de aprendizagem.

§  Aplicar questionários / outras metodologias de análise que propiciem um conhecimento aprofundado das caraterísticas próprias dos alunos:
§  Facilitar a integração do aluno na escola e na turma fomentando a sua participação nas atividades.
§  Acompanhar de forma individualizada o processo educativo do aluno.
§  Aconselhar e orientar no estudo e nas tarefas escolares.
§  Atender às dificuldades de aprendizagem dos alunos para propor, sempre que necessário, eventuais ajustes ao PCT (Plano de Ação Tutorial).
§  Trabalhar de modo direto e personalizado com os alunos que manifestem um baixo nível de auto estima ou dificuldade em atingirem os objetivos definidos.
§  Promover a expressão e a definição de objetivos pessoais, a auto avaliação de forma realista e a capacidade de valorizar e elogiar os outros.
§  Esclarecer os alunos sobre as suas possibilidades educativas e os percursos de educação e formação disponíveis.
§  Contribuir para o sucesso educativo e para a diminuição do abandono escolar, conforme previsto no Projeto Educativo da Escola.
§  Procurar implicar os pais e encarregados de educação em atividades de controlo do trabalho escolar e de integração e orientação dos seus educandos.
§  Informar, sempre que solicitado, os pais/encarregados de educação, o conselho de turma e os alunos sobre as atividades desenvolvidas.



Destinatários da Tutoria:
Crianças e adolescentes que desejam aprender a se organizar e estudar sozinhos. Alunos em situação de dificuldade na escolarização e na aprendizagem, associadas a fatores de natureza não predominantemente cognitiva. Trata-se, sobretudo de alunos que apresentam:

No domínio académico:
- dificuldades de aprendizagem;
- pouca motivação na realização das tarefas escolares;
- dificuldades de organização para o cumprimento das tarefas;

No domínio pessoal e dos relacionamentos:
- dificuldades de relacionamento com os adultos e, ou com os pares;
- persistência de comportamentos perturbadores;
- risco de abandono escolar / absentismo;
- ambiente familiar desestruturado;
- doença grave que obriga a períodos de ausência escolar;
- alunos de proveniência estrangeira.



Metodologia:
- Identificar as necessidades e dificuldades do aluno
- Separar o material de estudo e definir prioridades
- Aprender a pesquisar e a organizar a informação
- Interpretar textos e imagens e elaborar resumos
- Planear tarefas e atividades



Atividades com os alunos:
- Atividades para «ensinar a ser pessoa» (jogos sociais, de papéis, …);
- Atividades para «ensinar a pensar» (técnicas de estudo, resolução de problemas, melhoria da memória,…);
- Atividades para «ensinar a conviver» (dinâmicas de grupo, mesas redondas, jogo de papéis,…);
- Atividades para «ensinar a comportar-se» (relaxação, concentração, pensar em voz alta, …);
- Atividades para «ensinar a decidir» (auto conhecimento, informação profissional, programas de orientação vocacional,…).



Avaliação do plano de ação tutorial:
A avaliação do plano tutorial tem por objetivos:
- Verificar o grau de sucesso/concretização do plano tutorial;
- Redefinir estratégias se necessário.

A avaliação deve incidir sobre:
- Sobre o(s) problema(s) que motivaram a atribuição da tutoria (absentismo, indisciplina, insucesso escolar…);
- Sobre os objetivos definidos para o plano;
- Sobre as metodologias, estratégias e atividades desenvolvidas na ação tutorial;
- Sobre os resultados obtidos ao nível das atitudes, do comportamento e do sucesso na aprendizagem.



A Tutoria Educacional vai além do conteúdo escolar. O foco está em criar as condições e estruturas necessárias para que o aluno possa aprender, ajudando-o a se organizar mentalmente, a se fortalecer internamente, a conquistar confiança e autonomia.

Tudo que precisa já está dentro de si
Conecte-se com o seu potencial criativo


Fonte: vários artigos existentes na internet elaborados por escolas portuguesas.

sábado, 16 de maio de 2015

Ensinem os filhos a falhar


"... O processo de humanização começa pelo entendimento de que jamais haverá a satisfação completa. É esse o curso saudável das coisas. Se os pais boicotam esse processo, podem estar cometendo um erro." - Jean-Pierre Lebrun
Nos últimos 30 anos, a ideia dos pais como senhores do destino dos filhos vem desabando progressivamente. As consequências disso não são necessariamente ruins, como explica o psicanalista belga Jean-Pierre Lebrun, uma das principais referências na Europa no estudo sobre mudanças nas relações entre pais e filhos. Mas, para tanto, é preciso aprender a negociar com os filhos mantendo a autoridade. Leia abaixo os principais trechos da entrevista que Lebrun concedeu à revista Veja quando no Brasil para o 3º Encontro Franco-Brasileiro de Psicanálise e Direito.

Por que os pais hoje têm tanta dificuldade de controlar seus filhos?
Jean-Pierre Lebrun:
 Isso é reflexo da perda de legitimidade. Até pouco tempo atrás, a sociedade era hierarquizada, de forma que havia sempre um único lugar de destaque. Ele podia ser ocupado por Deus, ou pelo papa, ou pelo pai, ou pelo chefe. Isso foi se desfazendo progressivamente, e o processo se acentuou nos últimos trinta anos. Hoje, a organização social não está mais constituída como pirâmide, mas como rede. E, na rede, não existe mais esse lugar diferente, que era reconhecido espontaneamente como tal e que conferia autoridade aos pais. As dificuldades para impor limites se acentuaram, causando grande apreensão nas pessoas quanto ao futuro de seus filhos.
Existe uma fórmula para evitar que os filhos sigam por um caminho errado?
Jean-Pierre Lebrun: 
É preciso ensiná-los a falhar. Uma coisa certa na vida é que as crianças vão falhar, não há como ser diferente. Quando os pais, a família e a sociedade dizem o tempo todo que é preciso conseguir, conseguir, conseguir, massacram os filhos. É inescapável errar. Todo mundo, em algum momento, vai passar por isso. Aprender a lidar com o fracasso evita que ele se torne algo destrutivo. Às vezes é preciso lembrar coisas muito simples que as pessoas parecem ter esquecido completamente. Estamos como que dopados. Os pais sabem que as crianças não ficarão com eles a vida inteira, que não vão conseguir tudo o que sonharam, que vão estabelecer ligações sociais e afetivas que, por vezes, lhes farão mal, mas tentam agir como se não soubessem disso. Hoje os filhos se tornaram um indicador do sucesso dos pais. Isso é perigoso, porque cada um tem a sua vida. Não é justo que, além de carregarem o peso das próprias dificuldades, os filhos também tenham de suportar a angústia de falhar em relação à expectativa depositada neles.
Falando concretamente, como é possível perceber essa diferença no comportamento das famílias hoje?
Jean-Pierre Lebrun: 
A mudança é visível. Na Europa, por exemplo, quando um professor dá nota baixa a um aluno, é certo que os pais vão aparecer na escola no dia seguinte para reclamar com ele. Há vinte, trinta anos, era o aluno que tinha de dar satisfações aos pais diante do professor. É uma completa inversão. Posso citar outro exemplo. Desde sempre, quando se levam os filhos pela primeira vez à escola, eles choram. Hoje em dia, normalmente são os pais que choram. A cena é comum. É como se esses pais tivessem continuado crianças. Isso acontece porque eles não são capazes de se apresentar como a geração acima da dos filhos. É uma consequência desse novo arranjo social, em que os papéis estão organizados de forma mais horizontal.
Como o senhor avalia essa mudança? Esse novo arranjo é pior do que o anterior?
Jean-Pierre Lebrun: 
Hoje os pais precisam discutir tudo, negociar o que antes eram ordens definitivas. E isso não é necessariamente algo negativo, desde que fique claro que, depois de negociar, discutir, trocar ideias, quem decide são os pais.
Essas mudanças na estrutura social podem influenciar em aspectos negativos como, por exemplo, o uso abusivo de drogas?
Jean-Pierre Lebrun: 
Não há uma relação automática. Os mecanismos pelos quais os indivíduos se tornam dependentes químicos são diversos e complexos. A psicanálise ajuda a identificar alguns deles. Vou dar um exemplo. Manter uma criança em satisfação permanente, com sua chupeta na boca o tempo todo, fazendo por ela tudo o que ela pede, a impede de ser confrontada com a perda da satisfação completa. E isso vai ser determinante em sua formação.
Mas o que essa perda tem a ver com o fato de as pessoas enveredarem por um caminho autodestrutivo?
Jean-Pierre Lebrun: 
É uma anomalia no processo de humanização. Não nascemos humanos, nós nos tornamos. Isso ocorre quando aprendemos aquilo em que somos singulares entre todos os animais que habitam o planeta. Somos os únicos capazes de falar. Não se trata apenas de aprender ortografia ou usar as palavras corretamente. Quando dominamos a faculdade da linguagem, adquirimos uma série de características muito especiais, como, por exemplo, a consciência de que somos mortais. Aprendemos a construir as pontes que levam a um entendimento superior do mundo e de nossa condição. Isso é o que nos diferencia e nos torna completamente humanos. Um desequilíbrio nesse processo pode ter consequências. É aí que entra a explicação psicanalítica para o ingresso no universo das drogas. Aprender a falar, ou tornar-se humano, é algo que não ocorre espontaneamente. É uma reação a uma perda do estado permanente de satisfação completa com a qual somos confrontados na primeira infância. Ou seja, o processo de humanização começa pelo entendimento de que jamais haverá a satisfação completa. É esse o curso saudável das coisas. Se os pais boicotam esse processo, podem estar cometendo um erro.
Com que consequências?
Jean-Pierre Lebrun: Isso faz com que estejamos cada vez menos preparados para lidar com o sofrimento da nossa condição humana. Há séculos que as drogas têm algo de paraíso artificial, como diz Baudelaire. Ou seja, uma forma de se refugiar da dor humana, da insatisfação. As drogas sempre serviram para evitar o confronto com esse sofrimento. Quanto menos você está preparado a suportar as dificuldades, mais está inclinado a se evadir, a recorrer a substâncias, sejam as drogas ilícitas, sejam as medicamentosas, para limitar o sofrimento que vai se apresentar. Com o desenvolvimento da farmacologia, essas substâncias se tornaram muito acessíveis. Isso pode criar distorções. É muito mais simples tomar uma Ritalina para não ser hiperativo do que fazer todo o trabalho de aprender a suportar a condição humana. Quando criança, a pessoa já precisa ser confrontada com a condição humana da perda de satisfação. Dessa maneira, na idade adulta, sua relação com o fim de uma paixão amorosa, por exemplo, tem maiores chances de ocorrer de maneira mais aceitável e menos traumática.

Por que as drogas têm apelo especial para os jovens?
Jean-Pierre Lebrun: 
Eles são mais sensíveis a esse fenômeno porque têm uma tendência espontânea a, quando se tornam adultos, ser novamente confrontados com as dificuldades da existência. É, de certa forma, a repetição daquilo que haviam vivenciado na infância, quando foram, ou deveriam ter sido, apresentados à ideia de perda da satisfação completa, de que não ficariam com a chupeta na boca a vida inteira, por exemplo. Se, no ambiente em que esses jovens vivem, há uma abundância de produtos que funcionam como um meio de evitar essas dificuldades, eles mergulham de cabeça. Como também veem nisso certo caráter transgressivo, todas as condições estão dadas para que eles recorram às drogas.
Costuma-se atribuir o mau comportamento dos filhos à falta da estrutura familiar tradicional, como a que ocorre após uma separação. Qual a exata influência que isso pode ter?
Jean-Pierre Lebrun: Uma família organizada de forma aparentemente harmônica não necessariamente faz de um jovem uma pessoa capaz de conviver e suportar o sofrimento inerente à condição humana. Essa capacidade pode ser pequena em famílias aparentemente realizadas, com estrutura sólida. Assim como pode ser enorme em uma família conflituosa, dividida, conturbada. Por isso, não se deve levar em conta apenas o aspecto exterior da família. O que vale é a capacidade dos pais de fazer os filhos crescer. De incutir-lhes a verdadeira condição humana. Esse é o bom ambiente familiar, independentemente do desenho que a família tenha.
O melhor mesmo, então, é aceitar que a existência é sofrida?
Jean-Pierre Lebrun: O processo é mesmo muito mais complexo do que ocorre com outros animais. Um cão nasce cão e será assim para o resto da vida. Um tigre será sempre tigre. Um humano, no entanto, precisa se tornar plenamente humano. É uma enorme diferença. Esse processo leva uns vinte, 25 anos e está sujeito a percalços. Na Renascença já se falava disso: não somos humanos, nós nos tornamos humanos.
Entrevista por Ronaldo Soares/Veja - 13.03.2015 


sábado, 28 de março de 2015

FINLÂNDIA quer abandonar o ensino de disciplinas nas escolas


Finlândia


Partilho uma notícia surpreendente, ou não, já que  os finlandeses estão na vanguarda do ensino!
“Aquilo de que precisamos agora é de um tipo de educação diferente que prepare as pessoas para o mercado de trabalho”
“A Finlândia já tem um dos melhores sistemas de educação do mundo, que ocupa as posições de topo na matemática, nas línguas e na ciência dos prestigiados rankings PISA da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico. Somente países do oriente, como a Singapura e a China conseguem superar o país nórdico.
Políticos e especialistas em educação de todo o mundo olham para o país como um exemplo e tentam replicar nos seus sistemas de ensino o sucesso que lhe reconhecem.
Mas a Finlândia não está a descansar nos seus louros. Está a preparar a maior reforma na educação de sempre, abandonando o tradicional ensino por disciplinas e implementando um ensino por tópicos. Algumas disciplinas principais, como Literatura Inglesa e Física, já estão a ser eliminadas das turmas de 16 anos em escolas da capital Helsínquia.
Em vez disso, os jovens finlandeses estão a aprender por tópicos, como a “União Europeia”, que engloba a aprendizagem de economia, história, línguas e geografia. Num ponto de vista mais profissional, um aluno que queira especializar-se em restauração opta por um curso que inclui matemática, línguas (para clientes estrangeiros), competências de escrita e habilidades de comunicação oral.
Ou seja, nada de uma hora de história, seguida de uma hora de química e de uma hora de matemática. A ideia é eliminar uma das maiores interrogações dos estudantes: “porque tenho de aprender isto?”. No novo modelo finlandês, todos os assuntos leccionados estão interligados e existem motivos práticos para os aprender.
“Aquilo de que precisamos agora é de um tipo de educação diferente que prepare as pessoas para o mercado de trabalho”, explicou Pasi Silander, responsável pelo desenvolvimento da cidade de Helsínquia, ao jornal The Independent, salientando que com os avanços tecnológicos algumas formas de ensino deixaram de fazer sentido. “Os jovens já usam computadores avançados. No passado, os bancos tinham muitos funcionários a fazer cálculos, mas agora tudo mudou. Temos, portanto, de fazer as mudanças na educação necessárias para a indústria e sociedade modernas.”
A maioria dos professores sempre leccionou disciplinas individuais ao longo das suas carreias e por isso são muitos os que se opõem a estas mudanças. Não é difícil percebermos porquê: o novo sistema é muito mais colaborativo, forçando os profissionais de diferentes áreas a juntarem-se para definir o plano curricular. Marjo Kyllonen, responsável pela educação na capital finlandesa e um dos autores desta reforma, baptizou o novo modelo de “co-teaching” e assegura que os professores que concordarem com ele vão receber bónus salariais.
Cerca de 70% dos professores das escolas básicas de Helsínquia ja foram preparados para o novo modelo, de acordo com Silander. “Mudámos mesmo a mentalidade. É ligeiramente difícil convencer os professores a entrar na nova abordagem e a dar o primeiro passo… mas aqueles que o fizeram dizem que não conseguem voltar atrás.”
O novo sistema de ensino finlandês está a ser “testado” em Helsínquia, mas a intenção dos responsáveis da capital é que este seja aplicado em todo o país por volta de 2020.”

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

“Se queres ir para o mar, prepara-te em terra”



"Os alunos passam quatro anos ou mais a aprender a retirar informação de bibliotecas e de outras fontes, mas raramente lhes ocorre que deviam também aplicar essa mesma capacidade recentemente descoberta em seu próprio benefício - para procurar informação sobre empresas, tipos de profissões, regiões do país que talvez lhe interessem."

Professor Albert Shapero

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015