quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Ninguém é uma ilha


Um membro que frequentava regularmente um determinado grupo de estudos, sem nenhum aviso, deixou de participar de suas actividades.
Após algumas semanas, outro membro do grupo decidiu visitá-lo.
Encontrou o homem em casa, sozinho, sentado diante da lareira, onde ardia um fogo brilhante e acolhedor.
Adivinhando a razão da visita, o homem deu as boas vindas ao amigo, conduziu-o a uma grande cadeira perto da lareira e ficou quieto, esperando.
No silêncio grave que se formara, apenas contemplavam a dança das chamas em torno das achas de lenha que ardiam.
O visitante ia observando as brasas que se formavam. Ao cabo de alguns minutos, cuidadosamente, seleccionou uma delas, a mais incandescente de todas, empurrando-a para o lado.
Voltou então a sentar-se, permanecendo silencioso e imóvel.
O anfitrião prestava atenção a tudo, fascinado e quieto.
Aos poucos, a chama da brasa solitária diminuiu, até que houve um brilho momentâneo e o seu fogo apagou-se de vez.
Em pouco tempo, o que antes era uma festa de calor e luz, agora não passava de um frio e morto pedaço de carvão coberto de uma espessa camada de cinzas.
Nenhuma palavra tinha sido dita desde o protocolar cumprimento inicial entre os dois amigos.
O amigo, antes de se preparar para sair, manipulou novamente o carvão frio e aparentemente inútil, colocou-o novamente no meio do fogo.
Quase que imediatamente, ele tornou a incandescer, alimentado pelo calor das brasas ardentes em torno dele.
Quando o amigo alcançou a porta para partir, seu anfitrião disse:
— Obrigado por sua visita e pelo belíssimo sermão. Estou voltando ao convívio do grupo. Muito obrigado!

- Autor Desconhecido -

4 comentários:

L.O.L. disse...

Sandra. Não conhecia este texto e posso dizer-te que é absolutamente fabuloso. De nada nos serve uma mente esclarecida se não tivermos ninguém com quem partilhar os conhecimentos. Do mesmo modo que uma brasa solitária, essa mesma mente acabará por se esfumar. Belíssima comparação de um autor desconhecido que, muito provavelmente, também foi (ele mesmo) uma brasa solitária.

Sandra Mendes disse...

L.O.L.,

Tomei conhecimento deste texto através de uma amiga que o partilhou no facebook, e como o achei lindo e profundo, resolvi partilhar-lo aqui no blog.

De certeza que tem um autor, mas do que constatei na internet, o texto está a circular sem referência ao autor. É pena.

Um abraço,
SM

Sr. Matumbo disse...

Grande pensamento.

Sandra Mendes disse...

Sr. Matumbo,
Obrigado.
Um abraço,
SM